terça-feira, 4 de maio de 2010
O amor que a vida traz
Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.
domingo, 25 de abril de 2010
Falei
Já fui de esconder o que sentia, e sofri com isso. Hoje não escondo nada do que sinto e penso e, às vezes, também sofro com isso, mas ao menos não compactuo mais com um tipo de silêncio nocivo: o silêncio que tortura o outro, que confunde, o silêncio a fim de manter o poder num relacionamento.
Assisti ao filme Mentiras Sinceras com uma pontinha de decepção - os comentários haviam sido ótimos, porém a contenção inglesa do filme me irritou um pouco - mas, nos momentos finais, uma cena aparentemente simples redimiu minha frustração. Embaixo de um guarda-chuva, numa noite fria e molhada, um homem diz para uma mulher o que ela sempre precisou ouvir. E eu pensei: como é fácil libertar alguém de seus fantasmas e, libertando-a, abrir uma possibilidade de tê-la de volta, mais inteira.
Falar o que se sente é considerado uma fraqueza. Ao sermos absolutamente sinceros, a vulnerabilidade se instala. Perde-se o mistério que nos veste tão bem, ficamos nus. E não é este tipo de nudez que nos atrai.
Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve. É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente, se sabe.
Mas sabe-se o quê? O que todos nós, no fundo, queremos saber: se somos amados.
Tão banal, não?
E no entanto essa banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleijam, nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais caras. Por que a dificuldade de dizer para alguém o quanto ela é - ou foi - importante? Dizer não como recurso de sedução, mas como um ato de generosidade, dizer sem esperar nada em troca. Dizer, simplesmente.
A maioria das relações - entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos - ampara-se em mentiras parciais e verdades pela metade. Pode-se passar anos ao lado de alguém falando coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade. Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo. Ou, ao menos, se não souberem o essencial. E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil. Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sobrevida a dois.
Deixar o outro inseguro é uma maneira de prendê-lo a nós - e este "a nós" inspira um providencial duplo sentido. Mesmo que ele tente se libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que colecionou. Somos sádicos e ávaros ao economizar nossos "eu te perdôo", "eu te compreendo", "eu te aceito como és" e o nosso mais profundo "eu te amo" - não o "eu te amo" dito às pressas no final de uma ligação telefônica, por força do hábito, e sim o "eu te amo" que significa: "Seja feliz da maneira que você escolher, meu sentimento permanecerá o mesmo".
Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas.
Assisti ao filme Mentiras Sinceras com uma pontinha de decepção - os comentários haviam sido ótimos, porém a contenção inglesa do filme me irritou um pouco - mas, nos momentos finais, uma cena aparentemente simples redimiu minha frustração. Embaixo de um guarda-chuva, numa noite fria e molhada, um homem diz para uma mulher o que ela sempre precisou ouvir. E eu pensei: como é fácil libertar alguém de seus fantasmas e, libertando-a, abrir uma possibilidade de tê-la de volta, mais inteira.
Falar o que se sente é considerado uma fraqueza. Ao sermos absolutamente sinceros, a vulnerabilidade se instala. Perde-se o mistério que nos veste tão bem, ficamos nus. E não é este tipo de nudez que nos atrai.
Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve. É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente, se sabe.
Mas sabe-se o quê? O que todos nós, no fundo, queremos saber: se somos amados.
Tão banal, não?
E no entanto essa banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleijam, nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais caras. Por que a dificuldade de dizer para alguém o quanto ela é - ou foi - importante? Dizer não como recurso de sedução, mas como um ato de generosidade, dizer sem esperar nada em troca. Dizer, simplesmente.
A maioria das relações - entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos - ampara-se em mentiras parciais e verdades pela metade. Pode-se passar anos ao lado de alguém falando coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade. Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo. Ou, ao menos, se não souberem o essencial. E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil. Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sobrevida a dois.
Deixar o outro inseguro é uma maneira de prendê-lo a nós - e este "a nós" inspira um providencial duplo sentido. Mesmo que ele tente se libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que colecionou. Somos sádicos e ávaros ao economizar nossos "eu te perdôo", "eu te compreendo", "eu te aceito como és" e o nosso mais profundo "eu te amo" - não o "eu te amo" dito às pressas no final de uma ligação telefônica, por força do hábito, e sim o "eu te amo" que significa: "Seja feliz da maneira que você escolher, meu sentimento permanecerá o mesmo".
Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas.
domingo, 18 de abril de 2010
A voz do silêncio
Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.
Simples, rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.
Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"
É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.
E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem
é um silêncio que fala.
Simples, rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.
Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"
É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.
E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem
terça-feira, 13 de abril de 2010
Maturidade
Maturidade é ter o poder de controlar a raiva e de resolver divergências sem violência nem destruição.
Maturidade é ter paciência, a disposição para abrir mão de um prazer imediato, com vistas a uma vantagem a longo prazo.
Maturidade é ter perseverança, é empenhar-se a fundo num programa, a despeito da oposição e dos contratempos desalentadores.
Maturidade é ter abnegação, é atender às necessidades alheias.
Maturidade é ter capacidade de enfrentar o desagradável e a decepção sem nos tornarmos amargos.
Maturidade é ter humildade. Uma pessoa madura consegue dizer: - "Perdoe-me". E, quando fica provado que estava com a razão, não sente necessidade de se vangloriar: "Eu não disse?".
Maturidade significa credibilidade, integridade e cumprimento da palavra. Os imaturos, encontram pretexto pra tudo. São os retardatários crônicos, os contadores de vantagens que falham no momento das crises. A vida dessas pessoas é um emaranhado de promessas não cumpridas, assuntos inacabados e amizades desfeitos.
Maturidade é ter a capacidade de viver em paz com o que não se pode mudar.
Maturidade é ter paciência, a disposição para abrir mão de um prazer imediato, com vistas a uma vantagem a longo prazo.
Maturidade é ter perseverança, é empenhar-se a fundo num programa, a despeito da oposição e dos contratempos desalentadores.
Maturidade é ter abnegação, é atender às necessidades alheias.
Maturidade é ter capacidade de enfrentar o desagradável e a decepção sem nos tornarmos amargos.
Maturidade é ter humildade. Uma pessoa madura consegue dizer: - "Perdoe-me". E, quando fica provado que estava com a razão, não sente necessidade de se vangloriar: "Eu não disse?".
Maturidade significa credibilidade, integridade e cumprimento da palavra. Os imaturos, encontram pretexto pra tudo. São os retardatários crônicos, os contadores de vantagens que falham no momento das crises. A vida dessas pessoas é um emaranhado de promessas não cumpridas, assuntos inacabados e amizades desfeitos.
Maturidade é ter a capacidade de viver em paz com o que não se pode mudar.
*Retirado do site http://enfimtudodenovo.blogspot.com/2004/10/texto-maturidade.html
domingo, 11 de abril de 2010
Covarde Desamor
Definitivamente, o romantismo está morrendo. Leio que na Alemanha, um dos berços da literatura romântica, os amantes que não se sentem com coragem para terminar um caso de amor, o cessar de um namoro, o findar de uma paixão, já podem contratar os serviços de uma empresa especializada em levar essas duras mensagens para tantos corações desavisados,inocentes.
Muitos que receberam esse tipo de notícia ficaram em estado de choque diante da brutalidade da surpresa intolerável, inconcebível, sobretudo vinda de alguém que esses atraiçoados julgavam ser o definitivo amor de suas vidas.
Só uma mente desatinada ou uma alma insensível não consegue perceber que uma confissão feita olhos nos olhos, dizendo do declínio de um afeto, é a mais corajosa e a mais fiel das confissões dos amantes. A lição que nos fica é que a ousadia desse ato de covardia confirma que já não sopram com o mesmo vigor de antigamente os ventos que embalam os amores de hoje.
Homens e mulheres concebem paixões irresistíveis, desenfreadas, avassaladoras e, dentro delas, deixam-se arrastar pela força do egoísmo pessoal, até que numa noite imensa, sem luares embriagadores, quando surge o fastio sentimental e sem a coragem dos corações audazes, sentimentais, esses arremedos de amantes repassam a lâmina fria do desamor para que outras mãos - diante da simplicidade de um pagamento - cortem o cordão umbilical que os unia a um outro coração.
Talvez por esses gestos insanos de tantos espíritos embrutecidos a falta de romantismo esteja desencorajando a floração do amor em muitos corações solitários, que temem correr o risco de sentir o frio intenso da desventura pouco tempo depois de arderem numa fogueira de paixões.
Infelizmente, parece que o romantismo e o amor estão sofrendo abraçados depois dos maus amantes se embebedarem com o veneno da insensatez e da frieza dos seus sentimentos.
Fico imaginando quem conseguirá curar o que parece impossível: as dores do amor-próprio de alguém ferido pela indiferença, pelas flechas certeiras que mandam mensagens saturadas pelo fel do desprezo. Como alguém poderá resfriar o chão de fogo da humilhação que uma alma apunhalada pela covardia pisará para sempre, após receber a pena máxima do infortúnio e da traição?
Custa acreditar que um coração chocado pelas pedras de um amor leviano consiga superar rapidamente a revolta que irrompe da injustiça sentimental, da leviandade que um amor bandoleiro um dia lhe assaltou, talvez, sob um céu de infinitas estrelas, usando promessas e juras de amor que sabia nunca poder cumprir.
Sabemos que o amor pode cometer enganos, desviar seus rumos e ainda buscar novos portos. Jamais, todavia, poderemos aceitar que seus segredos, suas juras e intimidades sejam sepultadas através de mãos alheias, desconhecidas, portadoras de cartas escritas com letras de fogo, anunciando o fim de um romance, do amor, cerceando com as tempestades da covardia e da falsidade um andar de um coração feliz que caminhava inocente pelas estradas da paixão.
Muitos que receberam esse tipo de notícia ficaram em estado de choque diante da brutalidade da surpresa intolerável, inconcebível, sobretudo vinda de alguém que esses atraiçoados julgavam ser o definitivo amor de suas vidas.
Só uma mente desatinada ou uma alma insensível não consegue perceber que uma confissão feita olhos nos olhos, dizendo do declínio de um afeto, é a mais corajosa e a mais fiel das confissões dos amantes. A lição que nos fica é que a ousadia desse ato de covardia confirma que já não sopram com o mesmo vigor de antigamente os ventos que embalam os amores de hoje.
Homens e mulheres concebem paixões irresistíveis, desenfreadas, avassaladoras e, dentro delas, deixam-se arrastar pela força do egoísmo pessoal, até que numa noite imensa, sem luares embriagadores, quando surge o fastio sentimental e sem a coragem dos corações audazes, sentimentais, esses arremedos de amantes repassam a lâmina fria do desamor para que outras mãos - diante da simplicidade de um pagamento - cortem o cordão umbilical que os unia a um outro coração.
Talvez por esses gestos insanos de tantos espíritos embrutecidos a falta de romantismo esteja desencorajando a floração do amor em muitos corações solitários, que temem correr o risco de sentir o frio intenso da desventura pouco tempo depois de arderem numa fogueira de paixões.
Infelizmente, parece que o romantismo e o amor estão sofrendo abraçados depois dos maus amantes se embebedarem com o veneno da insensatez e da frieza dos seus sentimentos.
Fico imaginando quem conseguirá curar o que parece impossível: as dores do amor-próprio de alguém ferido pela indiferença, pelas flechas certeiras que mandam mensagens saturadas pelo fel do desprezo. Como alguém poderá resfriar o chão de fogo da humilhação que uma alma apunhalada pela covardia pisará para sempre, após receber a pena máxima do infortúnio e da traição?
Custa acreditar que um coração chocado pelas pedras de um amor leviano consiga superar rapidamente a revolta que irrompe da injustiça sentimental, da leviandade que um amor bandoleiro um dia lhe assaltou, talvez, sob um céu de infinitas estrelas, usando promessas e juras de amor que sabia nunca poder cumprir.
Sabemos que o amor pode cometer enganos, desviar seus rumos e ainda buscar novos portos. Jamais, todavia, poderemos aceitar que seus segredos, suas juras e intimidades sejam sepultadas através de mãos alheias, desconhecidas, portadoras de cartas escritas com letras de fogo, anunciando o fim de um romance, do amor, cerceando com as tempestades da covardia e da falsidade um andar de um coração feliz que caminhava inocente pelas estradas da paixão.
*Retirado do site http://www.overmundo.com.br/banco/covarde-desamor
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