terça-feira, 13 de abril de 2010

Maturidade

Maturidade é ter o poder de controlar a raiva e de resolver divergências sem violência nem destruição.
Maturidade é ter paciência, a disposição para abrir mão de um prazer imediato, com vistas a uma vantagem a longo prazo.

Maturidade é ter perseverança, é empenhar-se a fundo num programa, a despeito da oposição e dos contratempos desalentadores.

Maturidade é ter abnegação, é atender às necessidades alheias.

Maturidade é ter capacidade de enfrentar o desagradável e a decepção sem nos tornarmos amargos.

Maturidade é ter humildade. Uma pessoa madura consegue dizer: - "Perdoe-me". E, quando fica provado que estava com a razão, não sente necessidade de se vangloriar: "Eu não disse?".

Maturidade significa credibilidade, integridade e cumprimento da palavra. Os imaturos, encontram pretexto pra tudo. São os retardatários crônicos, os contadores de vantagens que falham no momento das crises. A vida dessas pessoas é um emaranhado de promessas não cumpridas, assuntos inacabados e amizades desfeitos.

Maturidade é ter a capacidade de viver em paz com o que não se pode mudar.

*Retirado do site http://enfimtudodenovo.blogspot.com/2004/10/texto-maturidade.html

domingo, 11 de abril de 2010

Covarde Desamor

Definitivamente, o romantismo está morrendo. Leio que na Alemanha, um dos berços da literatura romântica, os amantes que não se sentem com coragem para terminar um caso de amor, o cessar de um namoro, o findar de uma paixão, já podem contratar os serviços de uma empresa especializada em levar essas duras mensagens para tantos corações desavisados,inocentes.

Muitos que receberam esse tipo de notícia ficaram em estado de choque diante da brutalidade da surpresa intolerável, inconcebível, sobretudo vinda de alguém que esses atraiçoados julgavam ser o definitivo amor de suas vidas.


Só uma mente desatinada ou uma alma insensível não consegue perceber que uma confissão feita olhos nos olhos, dizendo do declínio de um afeto, é a mais corajosa e a mais fiel das confissões dos amantes. A lição que nos fica é que a ousadia desse ato de covardia confirma que já não sopram com o mesmo vigor de antigamente os ventos que embalam os amores de hoje.


Homens e mulheres concebem paixões irresistíveis, desenfreadas, avassaladoras e, dentro delas, deixam-se arrastar pela força do egoísmo pessoal, até que numa noite imensa, sem luares embriagadores, quando surge o fastio sentimental e sem a coragem dos corações audazes, sentimentais, esses arremedos de amantes repassam a lâmina fria do desamor para que outras mãos - diante da simplicidade de um pagamento - cortem o cordão umbilical que os unia a um outro coração.


Talvez por esses gestos insanos de tantos espíritos embrutecidos a falta de romantismo esteja desencorajando a floração do amor em muitos corações solitários, que temem correr o risco de sentir o frio intenso da desventura pouco tempo depois de arderem numa fogueira de paixões.


Infelizmente, parece que o romantismo e o amor estão sofrendo abraçados depois dos maus amantes se embebedarem com o veneno da insensatez e da frieza dos seus sentimentos.


Fico imaginando quem conseguirá curar o que parece impossível: as dores do amor-próprio de alguém ferido pela indiferença, pelas flechas certeiras que mandam mensagens saturadas pelo fel do desprezo. Como alguém poderá resfriar o chão de fogo da humilhação que uma alma apunhalada pela covardia pisará para sempre, após receber a pena máxima do infortúnio e da traição?


Custa acreditar que um coração chocado pelas pedras de um amor leviano consiga superar rapidamente a revolta que irrompe da injustiça sentimental, da leviandade que um amor bandoleiro um dia lhe assaltou, talvez, sob um céu de infinitas estrelas, usando promessas e juras de amor que sabia nunca poder cumprir.


Sabemos que o amor pode cometer enganos, desviar seus rumos e ainda buscar novos portos. Jamais, todavia, poderemos aceitar que seus segredos, suas juras e intimidades sejam sepultadas através de mãos alheias, desconhecidas, portadoras de cartas escritas com letras de fogo, anunciando o fim de um romance, do amor, cerceando com as tempestades da covardia e da falsidade um andar de um coração feliz que caminhava inocente pelas estradas da paixão.

*Retirado do site http://www.overmundo.com.br/banco/covarde-desamor
 

sábado, 10 de abril de 2010

O que há

O que há em mim é sobretudo cansaço - Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A sutileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto em alguém, Essas coisas todas - Essas e o que falta nelas eternamente -; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada - Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço, Íssimno, íssimo, íssimo, Cansaço... 

(Álvaro de Azevedo/Fernando Pessoa)

Retirado do site

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Para que serve uma relação


    Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

    Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

    Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo.

    Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.

    Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair.

    Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois!!

domingo, 4 de abril de 2010

O AMOR MADURO

O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas silencioso.
Não é menor em extensão.
É mais definido colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações.
Presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas.
Amplia-se com as ausências significativas.
O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem, o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca e do cheiro do outro - está a compreensão antecipada, a adivinhação, o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto, os discursos silenciosos da percepção, o prazer de conviver, o
equilíbrio de carne e de espírito.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para depois, vive do que fermentou
criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não percebe, recebe.
Não exige, oferece.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.